Navegue por todas as 5 etapas do MIS e aprenda a aplicar o método
Etapa 0: Preparação para a aplicação
Para uma avaliação eficaz utilizando o MIS, uma preparação cuidadosa é fundamental. Este processo é dividido em duas etapas principais
Definição da Estratégia de Inspeção
Antes de tudo, é preciso estabelecer as bases da sua avaliação. Isso envolve três passos essenciais:
Definir o objetivo: Determine o que você deseja descobrir ou validar com esta inspeção.
Realizar uma análise informal: Explore o sistema para ter uma primeira impressão e identificar áreas de interesse.
Estabelecer escopo e o foco: Delimite exatamente quais partes do sistema serão avaliadas e quais aspectos (como usabilidade, acessibilidade, etc.) serão priorizados.
Criação de um Cenário de Uso
Com a estratégia definida, o próximo passo é criar um cenário. O cenário é uma pequena história que guia o avaliador, garantindo que a inspeção seja focada e realista.
Função do cenário: Ele descreve uma situação de uso específica, limitando a interação a um contexto claro e às atividades mais relevantes para o objetivo da inspeção.
Características de um bom cenário: Para ser eficaz, o cenário deve ser rico em detalhes contextuais, descrevendo uma situação real ou, no mínimo, plausível. Isso ajuda o avaliador a se colocar no lugar do usuário e a realizar uma análise mais precisa e aprofundada.
Etapa 1: Análise dos signos metalinguísticos
Neste passo, deve‐se inspecionar os signos metalinguísticos, registrando todo o entendimento a respeito dos mesmos e,
se possível, fazendo referência às evidências coletadas. Feito isso, deve‐se fazer a reconstrução da metamensagem do designer
com base apenas nesse tipo de signo, identificando potenciais rupturas que o usuário possa vivenciar.
Exemplo de signo metalinguístico - toltip - presente na interface do Bing
Template da metamensagem do passo 1
Quem é você
O que você quer ou precisa fazer
Formas que você pode ou deve utilizar o sistema
“Esta é a minha interpretação sobre quem você é, o que eu entendi que você quer ou precisa fazer, de que formas prefere fazê‐lo e
por quê. Este é o sistema que eu projetei para você, e esta é a forma que você pode ou deve usá‐lo para conseguir atingir os objetivos
incorporados na minha visão.”
Evidências
Prints e/ou imagens que evidenciem as rupturas encontradas.
Classes de signos metalinguísticos
Deve-se descrever os tipos de signos identificadas durante a inspeção.
Descrição dos problemas
Deve-se descrever os principais problemas encontrados durante a inspeção.
Etapa 2: Análise dos signos estáticos
Neste passo, deve‐se inspecionar os signos estáticos, registrando todo o
entendimento a respeito dos mesmos e, se possível, fazendo referência às evidências coletadas. Feito isso, deve‐se fazer a reconstrução
da metamensagem do designer com base apenas nesse tipo de signo, identificando potenciais rupturas que o usuário possa vivenciar.
Exemplo de signos estáticos presentes na interface do Bing
Template da metamensagem do passo 2
Quem é você
O que você quer ou precisa fazer
Formas que você pode ou deve utilizar o sistema
“Esta é a minha interpretação sobre quem você é, o que eu entendi que você quer ou precisa fazer, de que formas prefere fazê‐lo e
por quê. Este é o sistema que eu projetei para você, e esta é a forma que você pode ou deve usá‐lo para conseguir atingir os objetivos
incorporados na minha visão.”
Evidências
Prints e/ou imagens que evidenciem as rupturas encontradas.
Descrição dos problemas
Deve-se descrever os principais problemas encontrados durante a inspeção.
Etapa 3: Análise dos signos dinâmicos
Neste passo, deve‐se inspecionar os signos dinâmicos, registrando todo o
entendimento a respeito dos mesmos e, se possível, fazendo referência às evidências coletadas. Feito isso, deve‐se fazer a reconstrução
da metamensagem do designer com base apenas nesse tipo de signo, identificando potenciais rupturas que o usuário possa vivenciar.
Exemplo de signo dinâmico presente na interface do Bing - Interação
Exemplo de signo dinâmico presente na interface do Bing - Consequência da interação
Template da metamensagem do passo 3
Quem é você
O que você quer ou precisa fazer
Formas que você pode ou deve utilizar o sistema
“Esta é a minha interpretação sobre quem você é, o que eu entendi que você quer ou precisa fazer, de que formas prefere fazê‐lo e
por quê. Este é o sistema que eu projetei para você, e esta é a forma que você pode ou deve usá‐lo para conseguir atingir os objetivos
incorporados na minha visão.”
Evidências
Prints e/ou imagens que evidenciem as rupturas encontradas.
Descrição dos problemas
Deve-se descrever os principais problemas encontrados durante a inspeção.
Etapa 4: Contraste das metamensagens
As metamensagens obtidas em cada um dos três passos anteriores podem não são idênticas,
pois elas são expressas em diferentes sistemas de significação, que possuem capacidades de expressão distintas.
Metamensagem
No entanto, essas metamensagens devem ser consistentes. Dessa forma, neste passo, o avaliador deverá contrastar e comparar as
metamensagens obtidas nos três passos anteriores gerando uma metamensagem consolidada e, buscando identificar possíveis inconsistências,
explorando se existe possibilidade de usuários atribuírem significados contraditórios ou ambíguos aos signos que constituem as
metamensagens reconstruídas a partir das análise dos signos metalinguísticos, estáticos e dinâmicos.
Template da metamensagem final consolidada
Quem é você
O que você quer ou precisa fazer
Formas que você pode ou deve utilizar o sistema
“Esta é a minha interpretação sobre quem você é, o que eu entendi que você quer ou precisa fazer, de que formas prefere fazê‐lo e
por quê. Este é o sistema que eu projetei para você, e esta é a forma que você pode ou deve usá‐lo para conseguir atingir os objetivos
incorporados na minha visão.”
Problemas encontrados e considerações finais.
Nesta etapa analisa‐se os problemas identificados em cada etapa e vendo a sua relação com o que foi identificado em outras etapas.
Além disso, podem ser identificados novos problemas que seriam resultantes da inconsistência entre metamensagens de dois ou mais
dos passos do método.
Perguntas guias:
É plausível que o usuário interprete este signo ou mensagem de forma diferente? Como? Por quê?
Esta interpretação está consistente com a intenção de design?
A cadeia interpretativa me lembra outras cadeias interpretativas que gerei durante a inspeção? Quais? Por quê?
As classes de signos estáticos e dinâmicos podem ser identificadas pela análise? Quais?
Existem signos estáticos ou dinâmicos que estão na classe errada de acordo com as classes propostas em 4? Isto pode afetar a comunicação com o sistema? Como?
Etapa 5: Apreciação
Neste passo, o avaliador produz um relatório apresentando a sua apreciação final da comunicabilidade do sistema inspecionado.
Este relatório deveria conter:
Breve apresentação do método (para que o leitor entenda como o avaliador entende e usa o método)
Critérios de seleção de que partes do artefato a inspecionar
Além disso, para cada um dos 3 níveis de comunicação:
Signos relevantes (listar e justificar)
Identificar sistemas de signos e classes de signos utilizados
Versão unificada da metacomunicação designer-usuário
A apresentação e explicação sobre os problemas de comunicabilidade encontrados que possam dificultar ou prevenir
o usuário de entender a mensagem pretendida pelo designer, e interagir produtivamente com o artefato